Como uma Empresa pode Crescer sem Perder a Identidade

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A estratégia das empresas do Guia para manter um time satisfeito e um bom clima em tempos de crescimento acelerado dos negócios.

Em 2005, o ano de estreia do Laboratório Sabin no Guia, seu time mal passava dos 300 funcionários. 

Quatro anos depois, duas outras estreantes entraram para o grupo de elite — a GVT, com aproximadamente 4 500 funcionários, e a EcoRodovias, com quase 1 500.


Em 2010, foi a vez de o Grupo Boticário integrar o time, com seus 1 540 profissionais. Em comum, as quatro empresas nacionais acompanharam o ritmo do mercado brasileiro, que passou a incentivar a população a consumir e assistiu à ascensão de uma nova classe média. O resultado disso é que essas empresas cresceram. E como cresceram!

O Sabin hoje conta com mais de 1 300 profissionais e levou seu exército de homens e mulheres de branco para dominar outros estados, deixando de ser referência apenas na capital federal. A GVT, em apenas três anos, cresceu 219% em número de pessoas. Hoje, a companhia de telecomunicações conta com 14 549 funcionários na sua folha de pagamento. O salto da EcoRodovias foi mais modesto, mas não passou despercebido.

A empresa saiu de 1 475 profissionais em 2009 para os atuais 2 028. E, nos últimos dois anos, o Grupo Boticário mais que dobrou seu número de empregados. Com duas novas marcas no mercado, a companhia precisou contratar gente e atualmente emprega mais de 3 300 pessoas.

O crescimento acelerado dessas quatro empresas representa um fenômeno entre as companhias do Guia e ajuda a explicar por que neste ano a lista tem mais organizações de grande porte (com mais de 1 500 funcionários) do que de médio ou pequeno porte. Hoje, as grandes representam 42% do total das empresas do Guia — companhias que naturalmente são mais complexas de administrar, especialmente quando dão um pulo muito alto em pouco tempo.

Sim, porque uma coisa é manter um alto índice de satisfação num ambiente que pouco muda e que permite o acesso fácil de informações e o contato próximo de pessoas. Outra é lidar com veteranos e novatos o tempo todo, fazer com que eles estejam integrados na mesma cultura e se sintam constantemente motivados. Como crescer sem arranhar o bom clima interno que essas companhias construíram ao longo de sua história e que possibilitou sua escalação no time das melhores é o grande desafio.



Afinal, como?

Segundo os especialistas e as empresas que passaram rapidamente pelo período de puberdade e já chegaram à idade adulta, o segredo para crescer sem perder a identidade é construir valores sólidos e manter uma liderança que possa disseminá-los aos que estão chegando.

“Quando uma empresa não consegue sustentar o crescimento é porque a cúpula da pirâmide não estava alinhada aos valores”, afirma Wagner Teixeira, diretor-geral e sócio da Höeft – Benhoeft & Teixeira, consultoria especializada em processos de sucessão e continuidade empresarial, de São Paulo.

Consciente de que a liderança seria a principal responsável pelo sucesso de seu crescimento, o Grupo Boticário, com sede em São José dos Pinhais (PR), reuniu todos os gestores da companhia no último ano e pediu que fizessem uma avaliação de quanto os profissionais estavam alinhados aos valores da companhia. A partir do resultado dessa análise, o grupo estabeleceu metas do que era preciso mudar.

“Percebemos que era necessário trabalhar alguns símbolos fortes da empresa, pois eles reforçam o nosso jeito de fazer as coisas, o que, consequentemente, ajuda no processo de mudança”, diz Henrique Adamczyk, diretor executivo e de desenvolvimento. Um dos símbolos percebidos foram as reuniões, muito frequentes entres os funcionários. “Não podíamos perder essa essência, mas precisamos torná-las mais produtivas”, afirma o diretor.

A área de recursos humanos começou a orientar os empregados como aproveitar melhor o tempo nas reuniões. Em fase de crescimento acelerado como a que passa o Boticário, não há tempo a perder. Em apenas dois anos, a empresa criou duas novas marcas — a Eudora, loja de varejo de produtos de beleza, mas direcionada a outro público, e a Skinge Inteligência Genética, especializada em soluções customizadas para tratamento de pele.

A criação das duas novas frentes de negócio foi a responsável pelo aumento de 120% no quadro de profissionais. “Nossa perspectiva de crescimento é muito forte e não tem outra forma de atender a essa demanda senão por pessoas”, diz Adamczyk.

A GVT também se apoiou em seus líderes para manter o clima saudável em tempos de expansão. No ano passado, ao perceber que os funcionários terceirizados responsáveis por atender os clientes não estavam realizando o trabalho nos padrões esperados pela empresa, ela contratou todo mundo, incorporando na sua folha cerca de 5 000 profissionais. Com o

aumento do quadro e a expansão dos negócios, a companhia transferiu alguns de seus vice-presidentes para levar a cultura às pontas (hoje, além do Paraná, há executivos do alto escalão presentes em Recife, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília).

Estratégia semelhante é adotada no Laboratório Sabin. Com o plano de crescer por meio de aquisições, o Sabin tem hoje 108 unidades espalhadas em dez cidades nos estados do Amazonas, Pará, Tocantins, Bahia e Minas Gerais, além do Distrito Federal.

E para cada nova unidade lançada a empresa envia um líder com experiência e que possa ser o disseminador de seus valores. “Os profissionais recém-agregados passam seis meses em integração da cultura da empresa ao lado desse líder”, diz Marly Vidal, superintendente de recursos humanos.



Clima saudável, funcionário (e cliente) feliz

Uma forte liderança comprometida com os valores da companhia, aliada a uma boa estratégia de comunicação — seja por ferramentas mais comuns como a intranet, seja gastando sola de sapato para acompanhar o processo de expansão —, é o principal ingrediente para progredir sem abalar as estruturas ou desmotivar o pessoal. Os números provam que tanto o Sabin quanto a GVT e o Grupo Boticário estão no caminho certo.

O Índice de Felicidade no Trabalho — que soma a qualidade da gestão da empresa à satisfação dos funcionários — se manteve no Boticário e subiu nas duas outras companhias. Esse grupo tem ainda mais o que comemorar. De todas as empresas de telefonia do país, a GVT foi a única que melhorou seu atendimento no último ano, segundo o ranking elaborado pela EXAME em parceria com o Instituto Brasileiro de Relacionamento com o Cliente.

O mesmo ranking colocou O Boticário em primeiro lugar. Do ano passado para cá, a empresa passou de um índice de satisfação do cliente de 87% para 93% — prova de que crescer cuidando da cultura e do clima faz bem para o funcionário, para o cliente e, consequentemente, para os negócios.

 

 

Fonte: Você S/A