O Bê-a-bá a Ser Seguido

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O bê-a-bá a ser seguido por quem quer empreender.

A Folha de Pernambuco inicia neste fim de semana, uma série de reportagens sobre como abrir um pequeno negócio e mantê-lo funcionando.

Somente em janeiro de 2019, os pequenos negócios geraram 60,7 mil empregos formais celetistas, liderando uma vez mais o processo de criação de empregos na economia. As médias e grandes empresas começaram o ano registrando extinção líquida de 25,7 mil empregos. Neste cenário, a Folha de Pernambuco inicia neste fim de semana, uma série de reportagens sobre como abrir um pequeno negócio e mantê-lo funcionando.

Nesta primeira reportagem vamos falar sobre o bê-a-bá a ser seguido por quem quer empreender. No próximo fim de semana vamos revelar os tipos de negócios mais promissores atualmente. Em seguida, vamos mostrar como manter sua empresa competitiva depois de montada. Também abordaremos como a tecnologia pode ajudar os pequenos. Por fim, traremos dicas de quando é mais recomendado ampliar sua empresa, sem grandes riscos.

Montar um negócio nos dias atuais se tornou uma das soluções adotadas por quem quer fugir do alto índice de desemprego. Segundo o IBGE, a taxa de desocupados foi de 12% no segundo trimestre deste ano, o que significa que 12,8 milhões de brasileiros precisam de uma alternativa para sobreviver. Com isto, o número de abertura de pequenas empresas vem crescendo dia após dia. Só em Pernambuco, existem 386 mil pequenas empresas, entre microempreendedores individuais (MEI), microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP).

Para se ter uma noção da importância dos pequenos negócios, no primeiro semestre de 2019, eles responderam por 387,3 mil novos empregos, 70 vezes mais que o saldo das médias e grandes empresas (5,5 mil). Mas abrir um negócio exige esforço, organização e planejamento. São etapas e burocracia a serem vencidas. Diante do atual cenário, o empreendedorismo se tornou uma saída para os trabalhadores. Por isso, vamos mostrar os caminhos que devem ser trilhados até o novo empresário estar pronto para o mercado.

O pontapé inicial é definir o tamanho do negócio - MEI, ME ou EPP - e respeitar requisitos. Segundo o analista do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-PE), Luiz Nogueira, no ambiente formal, o MEI é a forma mais simples de se tornar um pequeno empreendedor e receber a cidadania empresarial. “O MEI precisa ter um rendimento anual de até R$ 81 mil. E ele pode atuar no mercado atendendo todo e qualquer cliente, comprar de empresas que exigem inscrição. Além disto, há também os benefícios previdenciários”, explica.

Para essa forma jurídica, a inscrição é gratuita e leva em torno de uma hora para realizar o cadastro. A tributação é referente a 5% do salário mínimo e tem acréscimo de R$ 1 para o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e mais R$ 5 de Imposto Sobre Serviço (ISS).

Para a abertura de uma ME ou EPP, o processo é mais demorado. Em média, esse trâmite dura 30 dias, caso toda a documentação esteja em conformidade com as leis. A alíquota referente aos tributos pagos pelo empresário varia de 4% a 21% a depender da atividade exercida. Já o valor para abertura do negócio, que também depende da atividade, fica entre R$ 1 mil e R$ 3 mil. O que vai diferenciá-las, de forma geral, é o faturamento anual, que na ME é de até R$ 360 mil e na EPP é até R$ 4,8 milhões.

Contudo, ainda de acordo com Nogueira, inicialmente o empresário precisa conhecer o custo, saber o tipo de negócio e analisar a concorrência, entre outras coisas para ter chances maiores de alavancar o negócio. Além disso, o Sebrae orienta o candidato a seguir alguns passos no momento de começar o pequeno negócio.

A instituição divide-os em quatro fases: Ideia, Construção, Validação e Negócio. Dentro dessas quatro fases, existem oito passos chamados de “começar bem”. São eles: empreendedorismo, oportunidade de negócio, desenvolva sua ideia de negócio, análise de mercado, valide seu modelo de negócio, formalização, plano de negócio, consultoria de viabilidade.

Seguindo essa trilha, Nogueira ainda lembra que o principal ponto e o mais importante é ter um planejamento antes de começar. É que o preparo e conhecimento podem ajudar a fortalecer a empresa. “A gente busca até alertar para que o empreendedor não entre numa atividade que não tenha viabilidade e que não conheça. Quando ele planeja, a probabilidade de dar certo é muito maior. A palavra chave do sucesso para entrar num negócio é planejar”, esclarece.

Além do pagamento de taxas e da tributação, ainda de acordo com a entidade, toda empresa de qualquer atividade (indústria, comércio ou serviço), para funcionar deverá ter cadastro na prefeitura, através da Inscrição Municipal (CIM).

Quem quiser abrir um pequeno negócio pode procurar o Sebrae. Além das informações, cursos e workshops, a instituição tem um convênio com o Conselho Regional de Contabilidade (CRC) onde o empreendedor recebe todas as orientações sobre registro e tributação de empresas.

"Com a facilidade da Redesim ou do Portal do Empreendedor tudo ficou mais fácil, tornando todo o cadastro interligado. Com isto, agora é possível reunir informações como CNPJ, contrato social, inscrição estadual", ressalta a contadora do CRC Angela Souza. Quem precisar também pode procurar o Sebrae no telefone: 0800.570.0800.

Remédio contra o desemprego

A geração de empregos com carteira assinada em junho veio dos pequenos negócios pela quinta vez seguida neste ano. Somente naquele mês, de acordo com uma análise do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o número de empregos criados pelas micro e pequenas empresas em junho registrou o melhor resultado para o mês nos últimos cinco anos. Por isso, a abertura de um negócio tem sido encarada como um remédio contra o desemprego.

E a porta de entrada para iniciar no mundo dos negócios na maioria das vezes acaba sendo pelo MEI. É que por conta da possibilidade de fazer o cadastro gratuito, entre outros benefícios, cerca de 8,5 milhões de pessoas já estão formalizadas no País por esta modalidade.

Foi o que fez a costureira Vera de Lima, que transformou o desgosto do desemprego em orgulho de poder bater no peito e dizer que tem seu próprio negócio. Na sala apertada de casa, ela encontrou um espaço para colocar as duas máquinas de costura que conseguiu comprar com o dinheiro do seguro-desemprego. Depois que a empresa onde trabalhou por seis anos pediu falência, Vera, filha de um alfaiate e de uma costureira, encontrou nas roupas uma forma de suprir seu próprio sustento e pagar as contas no fim do mês. “Uma amiga minha me ajudou na compra das máquinas. Como eu não tinha condições para comprar tudo em dinheiro, ela me ajudou nesse início e quando recebo a parcela do seguro-desemprego eu pago o dinheiro para ela”, detalha.

Vera ainda explica que está montando um espaço que fica na parte de baixo de sua casa para colocar suas máquinas e dar continuidade a seu negócio. “Deveria mesmo era ter começado antes. Eu não tenho mais que ficar dependendo de patrão. Agora eu faço meu horário e consigo ser mais feliz assim”, ressalta ainda dizendo que o Sebrae foi fundamental nessa etapa inicial. “Lá eles me explicaram tudo e fui orientada dos meus direitos e que preciso ir à prefeitura para liberar o alvará de funcionamento”, diz.

É na rua Carlos Marigelha, na casa nº 425, no bairro da macaxeira que Vera começará uma nova jornada na sua vida depois que o local onde fará suas costuras ficar pronto. Ainda de acordo com ela, alguns itens ainda precisam ser comprados, como um balcão para desenhar as peças que costura. Contudo, mesmo diante da dificuldade financeira, é com um sorriso no rosto e o olhar de esperança que faz a costureira Vera de Lima levantar de manhã e batalhar pelo futuro da sua família.